domingo, 20 de novembro de 2011

Puramente um acaso

Entrei ali puramente por entrar. Já tinha corrido todas as outras lojas portanto encontrei refúgio no melhor local que fui capaz de recordar. Uma livraria. Passeei o olhar pelas prateleiras do costume distraidamente. Peguei num livro "O Caderno de Maia", num gesto automático ignorei a capa e voltei para a contra-capa. Li o resumo. Um ligeiro sorriso assomou-me aos lábios. Isabel Allende que andas-te a escrever desta vez? pensei desinteressada. Folheei as páginas de letra miúda sem que uma só palavra me captasse o olhar. Desisti. Pousei o livro. De repente a minha mão parou no ar como que a meio de um movimento interrompido por algo que de facto me captou a atenção. Um livro verde. Com um dragão estampado. Seria de esperar que tivesse reparado nos cartazes enormes à entrada certo? Errado. Não ligo nunca a isso. Descubro por mim mesma os livros perdidos na imensidão das histórias que contam. Não preciso de publicidade. Aquilo de que gosto mais tarde ou mais cedo cai-me em mãos. Mas onde ia eu? Ah claro o livro. A mão que ia cair pendente junto do corpo ao invés ergueu-se para o agarrar com um frémito que fazia as pontas do dedos vibrarem deliciosamente. Senti a textura das folhas deslizar suavemente pelos meus dedos. Deixei que o leve aroma a novo e estranhamente conhecido se infiltrasse em mim. 850 páginas. Herança era o seu nome. Christopher Paolini o seu autor. A trilogia de 4... O fim de outra colecção excelente. Tentei ver as coisas pelo lado positivo: ia conseguir fazer o livro durar uma semana mesmo tendo em conta o meu apetite voraz e devorador. 850 páginas são sempre 850 páginas. Merecem um bocado de respeito. E ou muito me engano ou vou precisar de todos os meus neurónios ao viver este final.

Comecei uma pequena dança em plena livraria absorvida como estava com algumas palavras soltas que li... De repente recordei-me de onde estava, senti os olhos da funcionária postos em mim, mas não me voltei. Delicadamente pousei o livro e passei ao longo das restantes estantes exultante de alegria. Ela não podia perceber. Por isso nem valia a pena encará-la...

Estou feliz e triste.
Pronto.
É só.

Mixed up feelings, Narniana

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Doing some moves...

"Aquele rapazinho era o teu namorado?"

*expressão resignada*

«Não, somos amigos...»
"Mas podia?"
«Poder podia mas não era a mesma coisa!»

Nunca tive uma conversa mais honesta do que esta no tocante ao meu BF e ao que as pessoas pensam de nós. Essa rapariga deu-se ao serviço de perguntar, de ouvir a resposta e acreditar nela... até aqui foi a primeira e desconfio que ou muito me engano ou foi também uma das únicas e das últimas.

*feeling really happy 'cause now one person believe in what we say*


Sempre vossa, Narniana

sábado, 5 de novembro de 2011

Nova interface actualizada do bloguer

O porquê deste post? bem para começar à muito tempo que não posto nada e depois... fiquei boquiaberta.

Experimentei como o título indica a nova interface actualizada do bloguer, experimentar será algo muito forte já trabalhei com ela num outro blogue do qual faço parte juntamente com outra administradora, e honestamente filo para ver o número de visualizações. Estava à espera de um qualquer valor relativamente baixo como 200 e nenhuma delas recente ou coisa que de lá se aproximasse. Ora bem desde que o blogue existe há nem 4 anos atingi um total de 3789 visualizações. E só ontem foram 20! Eu não fazia a mais pequena ideia de que tanta gente clicava neste link... o que me leva ao motivo pelo qual criei um blogue sendo que neste momento escrevo em três e tenho dois em preparação.

Criei um blogue porque é uma ferramenta pouco ou nada usada pelo tipo de pessoas da minha idade que gosta de rebaixar os outros para sobressaírem. Assim teria um local inacessível à maior parte das pessoas que conheço onde poderia desabafar e como bónus nem teria de lidar com haters e afins. Porque usando o Hi-5 ou o facebook ou outra dessas redes a mais pequena exposição pessoal é total, e esmiuçada e esmifrada até ao tutano. Como sou simples e objectiva neste tipo de coisas, decidi que um blogue seria o ideal para não ter de lidar com tudo o que as restantes redes sociais envolvem. podia postar o que quisesse quando quisesse com conta e medida ou sem ela no meu jeito de ser e estar na vida sem recear ser depois confrontada com isso. Neste blogue está parte da minha vidinha patética. Fragmentos, memórias, coisas que não recordaria e outras que preferia não recordar. Se é um acto de cobardia escrever num blogue porque sabemos que não seremos depois confrontados com o assunto não está ao meu critério decidir. Na altura, e considerando a big mess em que a minha existência se encontrava foi o que achei ser melhor para mim.

E não não foi por me preocupar com o que os outros poderiam pensar e dizer de mim se lessem o que escrevo aqui. Foi simplesmente por não querer saber. Não achava ser importante a ponto de as pessoas se chatearem a fazer pouco de mim ou sequer a ler fragmentos da uma altura indefinida. Então... estou a contradizer-me. Não. Uma ou outra experiência encarregou-se de me mostrar que há um determinado número de pessoas que de facto se dá a esse trabalho. Para depois interpretar e espalhar à maneira e personalidade deles. Não quero.

Porque eu sou eu. Porque criei um blogue, vejo agora, com vista a ter uma expressão pessoal, mutável e transfigurável que reflectisse sempre a imagem de quem sou, de quem me quero tornar, e do que me ocupa a mente e o espírito numa dada ocasião. Não foi para fugir aos outros. Foi para me encontrar a mim. As restantes redes, com excepção talvez de tumbrl, são estereotipadas e formatadas de dada forma e maneira. Come quem quer. O blogue apareceu-me como um escape, uma forma de expansão completamente desconhecida que eu mesma podia alterar, experimentar, formatar ao meu formato e des-formatar quantas vezes quisesse. Foi por isso que criei um blogue. E é por isso que o mantenho, com ou sem actividade, por vezes relendo-me nele somente, sem acrescentar nada novo, por vezes, como hoje e agora a esta hora um pouco despropositada, a descobrir, ou reencontrar conhecimento desconhecido ou perdido nos recônditos da mente...

Boa noite leitores, clicadores e quem mais vier e entrar neste Fantasy World, cumprimentos Narniana

sábado, 8 de outubro de 2011

5 Outubro

E diz a minha explicadora de Biologia: "Como é que se explica a uma criança de 4 anos, quando ela pergunta, o que é o 5 de Outubro?"

(respostas: 0)

"Foi o dia em que os reis e a rainhas deixaram de mandar, pronto está explicado."

E posto que achei isto aprazivelmente sucinto não fiz mais pesquisa nenhuma.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Apple




R.I.P. STEVE JOBS
a true genious like yourself never dies...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Hermione




Happy B-day my dear and favourite witch! The brightest which of ANY age!






















































And tought you might be a "Know it all" you are not, by sure, "insufferable"!

Kisses from a fan that whishes for your character to be true....



sábado, 17 de setembro de 2011

Coisas do Momento

Quando nos envolvemos em alguma coisa que envolve outras pessoas mesmo que estejam detrás de um ecrã o contacto é inevitável mais tarde ou mais cedo. Por esse contacto inimigos podem virar amigos, jogadores, podem virar companhia de conversa, um jogo pode tornar-se dois dedos de treta no msn... e os dois dedos de treta podem tornar-se uma conversa... essa conversa compõe-se de partilha, de contacto, de emoções, de descobertas mútuas, de pontos em comum e gargalhadas... vivem-se culturas, modos de ser e estar, filosofias, contam-se experiências, partilham-se pedaços de vida e da vida...

E quando damos por nós estamos a pensar como seria se pudéssemos falar pessoalmente com essa pessoa. Porque até gostamos dela, porque até nos deixamos cativar. Porque queremos saber mais e queremos mais. E é nestas alturas que damos pelas borboletas no estomâgo... provocadas pelos elogios, ou simplesmente pelo piscar cor de laranja da janela... e pensamos «Eu estou doida, o que é que eu acho que estou a fazer?!» e depois descobrimos que o que quer que seja que tenhamos feito já está feito e que já não dá para voltar atrás. E subitamente tomamos consciência de que se desse provavelmente não o faríamos. Não voltaríamos atrás.

O mundo não está destinado da forma como queremos.
As pessoas são postas em lados opostos do mapa-mundi.

"Posso te contar um segredo?"
"A minha boca é um túmulo."
"O meu sonho é poder voar..."
« :o »
"...pra poder ir para pertinho de vc..."

E as palavras certas não vêm. Nem as erradas. Aquelas que poriam fim ao disparate em que me meti. É ridículo? Provavelmente. Mas não quero ficar numa redoma de vidro.

Brasil vs Portugal
Ele vs Ela
Sentimento vs Razão

E como eu costumo dizer «Não se paga por sonhar... ainda não.»

Se eu pudesse voar....

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Hormonas Benditas


Já todos dissemos coisas inconvenientes. Daquelas em que no preciso momento em que as palavras no escapam da boca nos apercebemos que estão erradas ou que não são bem recebidas apesar da verdade que há nelas. Agora a classificação das pessoas que proferem tais coisas depende da idade.
Eu exemplifico:
Se são crianças são inocentes, dão-se umas boas risadas perdoa-se tudo e diz-se que não se pode fazer. Em alguns casos se o incidente é grave ou uma repetição voa uma estalada e arruma-se com o caso.
Se são adultos são mal-educados, rudes, estão num dia mau, ou são simplesmente “Uns idiotas ignorantes!”
Se são velhos ou para lá caminham é porque são velhos e tem que se dar um desconto porque já não regulam com os parafusos todos.
Agora se estiverem na faixa etária que é considerada adolescência a explicação é hilariante. Hormonas. É tão simples como isso. Eu posso mandar alguém dar uma curva com palavras mais ou menos convenientes, posso estar com um sorriso e no momento seguinte amuar com alguém e só responder torto, posso dizer as verdades que me apetecerem na forma mais deslavada possível que a explicação é Hormonas. Eu adoro isto!
Os “crescidos” viram-se uns para os outros com cara de entendidos depois de nos mirarem por um segundo como que a avaliar a atitude e dizem “São as hormonas.” Ou de uma forma menos explicita “São adolescentes.” É fantástico arranjamos uma desculpa para a impertinência por prescrição literária. Olha qu'esta!


sábado, 6 de agosto de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Aquelas coisas absurdas...

Isto duas coisas absurdas numa semana... é demais... andava a vasculhar nas fotos que tenho para os posts que estou a preparar e encontrei esta:

Isto é uma piada, foi acidental ou andam a ver se iniciam as criancinhas mais cedo??? Ou então foi alguma ideia de um fazedor de gelados tarado... Serei só eu a notar certas semelhanças? Até os calipos ou os perna de pau conseguem ser mais discretos que isto.

Aquela Hipocrisia Típica...

1º Os exames são uma merda
2º A minha mãe não sabe lidar com maus resultados (ou seja 17 a física e química)
3º Diz o que diz da forma como diz, magoa-me, berra-me, insultou-me já em algumas ocasiões passadas e admite que vai continuar a fazê-lo porque tem toda a razão do mundo e a Terra é plana, e as estradas são rectas e tudo corre exactamente como planeado*
...........................*Ah e claro que eu não passo de uma tocadora de viola que pr'áqui anda meia perdida, e a quem ela anda a pagar explicações a seu ver inutilmente, dinheiro esse que podia ter gasto a cumprir os sonhos dela...

MAS:

4º Se uma pessoa se passa dos parafusos, desabafa com alguém que é dotado de uma estupidez tal que vai contar à mãe, temos a nossa mãe à perna aos gritos a dizer que não temos nada que andar a falar mal dela pelas costas às outras pessoas.

Ou seja dizer diz-se, em casa tudo bem, mas não sai lá para fora. Voltámos à ditadura. É o jogo da "Família Feliz: Tudo é perfeito desde que não meta o nariz!"

Bendita seja a HIPOCROSIA.

Querem Melhor?



:D

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Aquelas cenas absurdas...

Este título esteve guardado como rascunho sem mensagem especifica até eu encontrar algo suficientemente absurdo que o justificasse.

Encontrei. É uma daquelas coisas estúpidas correntes do facebook.

Dicionário das Mulheres :
Hum = Estou com ciúmes.
Tá = Foda-se.
Quem sabe = Eu tenho certeza.
Parvo, idiota, imbecil, estúpido = Eu amo-te.
......Não é nada = É tudo.
Esquece = Não vai adiantar, tu não vais entender.
C
opia e cola no teu mural se te identificaste com alguma destas definições. (Só para as mulheres) xD
As pessoas têm a mania de ser dadas a este tipo de coisa. Se se dignassem a dizer aquilo que querem dizer sem meios nem rodeios... tinham a vida mais facilitada e talvez estas merdas não existissem. Não tem cabimento uma máquina funcional e bem conhecida (por exemplo um telemóvel) andar acompanhada de manual de instruções (olha nós no meio da rua a tentar mandar uma sms com o manual de instruções na mão) assim como não tem cabimento uma pessoa (leia-se neste caso mulher/rapariga) que é capaz de se expressar por si própria ter necessidade de andar com uma porra de um dicionário deste género ou de outro género qualquer atrás.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

28 de Maio de 2011

O dia da minha morte... que data tenebrosa... só de pensar... E agora a pergunta é mesmo 'Se 28 de Maio já passou e estou a ler isto a fulana não morreu! Então que porra é esta?'

Pois não, não morri mas quase. E porquê? Casamento. Precisamente tive um casamento nesse dia.
Quando comentei inicialmente o assunto, desolada, ouvi coisas como "Ei que fixe! Quem me dera ir!" ou "Eu adoro casamentos. É pena que vou a muito poucos!", coisas essas que me fizeram abster de mais comentários. É que estão a ver... eu não sou nada destas coisas formais e cheias de alaridos e floreados. «Vão casar? Porreiro que bom para eles. Felicidades.» Mas não só não pude fazer isto como tive de ter trabalho à custa do casamento dos outros. Parece que já ter 17 anos despertou algum relógio interno que a minha mãe deve ter... motivo pelo qual ela meteu na cabeça que eu já sendo quase mulher devia ir com um vestido em condições. Aconteceu uma coisa que raramente me acontece: entrei em pânico.

1ª fase:
«Eu?! De vestido?! Oh mãe larga a cerveja!»

2ª fase:
«Mãe eu não vou de vestido nem coisa que de lá se aproxime! Tira daí a ideia!»

3ª fase:
«Queridos progenitores, dada a minha não condição de noiva ou de qualquer outro papel de relevância nesse acontecimento que em nada me diz respeito tenho-vos a comunicar muito docilmente que não tenciono envergar trajes formais durante e após o acto cerimonioso dessas duas, certamente excelentes pessoas, que eu não conheço.»

4ª fase:
«Mãe eu NÃO VOU DE VESTIDO MERDA NENHUMA!!!»

5ª fase:
«Não sou EU quem vai casar, não sou EU quem pediu esta treta, não sou EU quem tem de fazer alguma coisa nessa treta e como tal não sou EU quem vai ter de ir com um vestido. Vêm que filha porreira vocês têm? Nem vão ter de gastar dinheiro. Tenho ali umas calças e uma t-shirt que servem perfeitamente.»

Pois nem calças, nem t-shirt, nem o raio que os parta... Não tenho memória de ter estado tão perto de apanhar uma chapada como nas semanas anteriores à porra do casamento. Também não tenho memória de qualquer outra altura em que me tenha dado uma vontade tão grande de não fazer o que queriam que eu fizesse. Eu sou eu. Não uso vestidos, nem saias (excepto em alturas de 40ºC o que não era o caso), nem camisinhas, nem colares, nem brincos, nem maquilhagem (só batons) e como tal estou-me nas tintas para se é um casamento, uma saída com amigos, ou se vou visitar um rei. É calças de ganga e t-shirt e ponto final.

Portanto e posto isto tive de usar vestido na mesma, e saltos altos, e maquilhagem e tive MESMO de ir ao casamento dos tipos que eu não conhecia e cujo grau afinidade com os mesmos não me apetecia aumentar particularmente.

Escolha do vestido (30 minutos) Experimentei três vestidos (e já foi mais do que aqueles que vesti na vida por livre e espontânea vontade):



Não se safaram no teste...

Pelo caminho a mulher da loja chamou-me velha e eu bem que estive para sair dos provadores e ir dar-lhe um estalo.


















Tenho-vos a informar que depois de experimentar os três o que se safou melhor foi o terceiro.







Não que me agrade particularmente mas já não estava com pachorra para aquilo, a minha mãe gostou, A Mulher disse que era juvenil e mais adequado e como tal eu comi e deixei andar:

Cá está o dito cujo. Que entretanto já presenciou uma comunhão solene, uma primeira comunhão e vai presenciar o meu baile de finalistas se eu tiver paciência para lá pôr os pés...





E já agora sim esses foram mesmo os sapatos que eu tive calçados o dia todo, por vontade própria. Resultado cheguei ao fim e andei des-cal-ça no maior dos regalos e perante os olhares de desdém ranhosos que quem me viu me dirigiu. Quero lá saber que já tenha 17 anos e já tenha idade para me comportar como uma senhora... Tenciono conservar os meus pés e pernas funcionais até morrer, e quem quiser desdenhar faça favor.

E tinha marcação na cabeleireira... mas quando a minha mãe entrou no quarto e me viu a dormir... passou de muito calma a estado de stress: "Ariana! Tu não vinhas à cabeleireira? Eu marquei para mim e para ti! Sai da cama JÁ!"

«Oh mãe... (resmungo e volta para o lado oposto) desmarca. quero dormir... (bocejo, enroscar, ferrar no sono outra vez)» E a minha mãe seja por estar quase atrasada, seja porque já não me queria ouvir mais a reclamar acerca do casamento foi mesmo sem mim.

*** *** *** *** *** *** *** *** *** *** ***

Agora eu muito sinceramente gostava de saber, depois deste desabafo, o que raio é que motiva duas pessoas a enfiarem-se em roupas super formais, cheias de rocócós e afins a passarem o DIA INTEIRO nas ditas cujas, a estarem quase duas horas a ouvir um padre falar, a gastarem uma fortuna para dar de comer aos outros, a passarem um mês a planear um dia que nunca mas nunca vai correr como planeado... simplesmente para anunciar que vão de férias por uma semana (se forem) e que vão passar a morar juntos. Aliás, gostava muito de saber o que é que os motiva a dar a conhecer esse acontecimento a 300 pessoas metade das quais não conhecem ou estão ali porque sim.

Depois deste casamento estabeleci uma teoria: é que já que eles vão passar o resto da vida (pelo menos é o que se supõe) amarrados um ao outro e às turras e a "sofrer" então pelo menos vão fazer sofrer um bocadinho o maior número de pessoas possível, só por causa das coisas... que é para os solteiros não se armarem em solteiros e aos casados é para lhes esfregar no focinho um dos grandes erros da vida deles... Não vejo melhor forma do que um casamento para cumprir com este objectivo.

Antidepressivos naturais

Há aqueles que gostam de gastar dinheiro em antidepressivos de farmácia... ou outros que tais como se disso dependesse a vida... eu cá prefiro os naturais que se encontram ao virar da esquina...

Para me manter normal e em estado de baixa electricidade... (denote-se que não falei em stress. sou acelerada não stressada) uso alguns "comprimidos" caseiros... fazem bem à alma e ao espírito, não precisam de receita e não lhes conheço contra-indicações... mas sobretudo não provocam a dita sonolência que me parece ser a única razão da depressão não se fazer sentir quando se tomam essas porcarias...

Bem gostem ou não... apresento-vos os meus conselhos (desculpem a falta de qualidade mas eu não tenho competências para fotografa e o meu telemóvel aparentemente também não):



Aqui ao lado encontra-se um ponto de vista geral... a companhia de Astérix e Obélix (sem esquecer Idéiafix), uma pitada de Calvin e Hobes à mistura... se conseguirem separar o tigre do rapaz dou-vos os meus parabéns, como eles estão sempre engalfinhados é um procedimento difícil...

Uma voltinha pela ps2 é uma hipótese a considerar se o objectivo for desviar a mente e o pensamento de maus assuntos...

Mas aquilo que me serve em qualquer ocasião e problema são mesmo estes meus docinhos:



Rebuçados de café...


ENJOY! :)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Coisas do Momento II : copiar

Em seguimento do post anterior... leram o P.S. final? Aquele que dizia que a minha mãe ficou chocada não só por eu já ter feito copianços como por já os ter usado?

Pois é assim eu conheço gente que faz os ditos papelinhos para todos os santos testes e os leva religiosamente no bolso onde ficam confortavelmente aconchegados durante todo o tempo como quem leva o cinto do carro no ombro bem apertado para "se sentir seguro". Ora isto não é coisa que se aceite. Deviam chamar aqui os fiscais porque isto vai totalmente contra a Lei do menor esforço. Mas onde já se viu dar-mo-nos ao serviço de escrever com letra miúda nuns papéis tamanho xxxxxs, ou mesmo a computador os ditos cujos para depois não os usarmos? É que perde-se o tempo, perde-se a vontade, perde-se a oportunidade...

Cá para mim se faço os ditos papelinhos bem amados é mesmo para os usar. E se os fizer não sou nada meiga. É à grande e à francesa mas sobretudo à descarada que é o que dá menos nas vistas. Não há meias medidas. Sou fiel cumpridora da referida lei e como tal não vou estar a perder o meu rico tempo a fazer papéis para aconchego. Se se querem sentir seguros emborcam dois calmantes com o leite de manhã que a coisa faz o mesmo efeito mas pelo menos as árvores não sofrem inutilmente. Ecologicamente falando claro... porque tudo isto deriva da minha preocupação ecológica... o essencial é não desperdiçar o papel(inho)...


Hasta Pronto :)

Coisas do Momento: copiar

No outro dia estava muito calmamente a falar com a minha mãe sobre a reunião de turma...

«A professora de filosofia parece que já descobriu como é que vocês copiam...»

"(olhar cauteloso) então é como é que nós copiamos?" - quer dizer não me ia por para ali a desfiar técnicas que isto anda negro... não se pode confiar.

«Põem os copianços nas pernas e estão a escrever no teste e a ver nos copianços...»

"(olhar incrédulo) A sério? Só descobriu essa?" Pasmo à parte fiquei parva... a mulher tem mais anos de serviço que eu sei lá o quê! Pelo discurso já deve ter dado aulas aos avós dos avós dos avós dos nossos avós... (mas ainda não se reformou arre, parece Duracell) e só descobriu a forma mais óbvia de copiar? Quer dizer... em calças de ganga folhas brancas são notórias debaixo da secretária ou não até porque não sendo esta transparente também não é nenhuma caixa: é aberta de todos os lados... Se ela demorou tantos anos a descobrir só esta forma... minha gente estamos safos. Ela morre feliz e nós com boas notas...

P.S.: a minha mãe ficou chocada por eu ter dito que já fiz copianços e mais chocada ficou por os ter de facto usado.

Let's face it mummy... everyone copys...even it's just once... it's not just me... and it's not just now...

sábado, 4 de junho de 2011

Fragmentos

Faz quase um ano que não escrevo um destes... um fragmento retirado dos sonhos que guardei... talvez por ser demasiado subjectivo. Demasiado meu para partilhar... hoje será o segundo. Talvez porque decidi ficar na cama a recordar... embrenhada no doce toque da música que me envolve suavemente. O facto é que nem sempre fui assim. Fazer brotar palavras coloridas da ponta negra do lápis era um prazer, uma ambição... alguns preferiam bolas e bonecas... eu adorava os cadernos e livros. Quem sabe um prazer menos usual em crianças... Perdia-me na imensidão dos mundos que criava, vivia em fantasias e lugares de sonho... e perco-me. Mas já não exprimo tal perdição. Tal prazer. Porque há aquela receita antiga...

Aquela que diz que se sofreres demasiado acabas por te fechar ao mundo. Não está escrita, mas está lá. Eu vi. E eu, talvez por um excesso de me atirar de cabeça, talvez por ter tendência para as pessoas erradas sofri. E fechei-me em mim para me proteger. Porque sofrer cansa. E acabei por enterrar esse prazer, essa ambição de tirar mundos da ponta do lápis como o mágico que perante o olhar de admiração de todos tira o coelho de dentro da cartola vazia.

Alguns erros, algumas quedas... dois ou três joelhos arranhados, mãos esfoladas... e fiquei eu. Como sou agora: sarcástica, prática e objectiva. Porque sendo lógica tudo é mais simples e menos doloroso. É mais fácil dizer "Não, não me arrependo mas prefiro esquecer e seguir em frente." e é sinceramente mais fácil acreditar que não preciso de ninguém. É a tal receita que nos põe assim. Que nos faz perder a subjectividade e até certo ponto a humanidade também. Porque nós não somos máquinas mas por vezes sinto-me uma a ser tão racional. Não esqueci o meu coração. Não o arranquei. Mas visto ele estar tão disposto a guardar aquilo que a mente quer esquecer, visto ele não me ajudar a esquecer prefiro ignorá-lo. Porque... é mais fácil...

Ninguém te pode fazer sofrer sem que tu deixes. Quem escreveu isto não estava decerto a par de que não somos somente nós a controlar as portas do nosso coração. Antes de sabermos já ele deixou entrar a tal pessoa errada. Antes de sermos racionais e dar-mos ouvidos aquela vozinha já está o estrago feito e o coração, que teremos de montar, em cacos.

E se calhar é por isso que eu perdi aquela capacidade de ser simpática para com as pessoas espontâneamente. Se achar que é o correcto e o racional ainda sou simpática de forma natural... mas isso é mecânico certo? E é por isso que sou assim directa e franca. E é por isso que os meus posts são tão cortantes e sarcásticos e irónicos. É a tal receita. Aquela antiga.

«Ajuda-me a esquecer; ajuda-me a recordar... Não sei... já não sei»

Fragmentos


O grande mal disto tudo... é que todos esperam que a gente saiba o que vai fazer, quando e como o vai fazer mas sobretudo, todos esperam que a gente, faça o que fizer, o faça bem. Sem erros, nem voltares atrás, sem medo, com confiança, com consciência quase com conhecimento.

O grande mal disto tudo é que todos julgam que é fácil olhar para as caras de pais, familiares e amigos, ansiosas preocupadas a requerem conforto e a certeza de que vai correr bem e não sermos capazes, não nos sentirmos capazes de lhes dar essa confiança.

Por vezes é-me mesmo difícil convencer-me de que vai correr bem e de que eu consigo. Especialmente com alguns brilhantes resultados sabendo que trabalhei para mais. Especialmente tendo aquela vozinha na cabeça que já começa a ser difícil silenciar quando enceta mais uma sessão de "não te sentes já a estudar. Para teres quinze ou catorze não é preciso. Ouve lá paspalha! Estás parva? Vais perder duas horas em vez de meia para o resultado ser o mesmo? Deixa-te de tretas!"

E eu começo a não ter respostas, a não ter sequer coragem de responder a estas insinuações. Estou farta. Farta disto tudo. De berrarem comigo, de dizerem que é pouco, sobretudo de ter consciência de que é pouco, de não ter respostas, nem certezas, e em abono da verdade de ver a vontade escapar-se-me por entre os dedos como fumo e de não fazer, de não querer fazer nada para a agarrar. Estou cansada, não consigo ver que valha a pena, não está a valer a pena. Não está.

O que aconteceu aquela história de "Trabalha muito e serás recompensado." Onde pára a lógica no meio disto tudo? A coerência entre causa e efeito? A concordância entre acção e consequências?

Não fui notificada de quaisquer alterações inerentes à lógica do universo no fórum da vida.

Falei com a minha DT e ela disse "Na vida nem sempre tudo corre bem, vão acontecer deslizes, vais falhar muitas vezes..." Pois só agora é que ela me diz.



«Más maneiras de ser bons pais... Há muitas.»

Coisas do Momento


No outro dia estávamos eu e umas amigas no inglês a falar sobre crenças e sobre o que as pessoas faziam por elas...

A dado momento eu, grande crente como já se deve ter percebido, saio-me com esta:

«I also believe in vampires and I don't drink blood for god's sake!»

O facto é que ficou tudo parvo a olhar para mim como se eu fosse tola. Resignei-me e fui à casa de banho, quando voltei uma vira-se para mim e diz:

"Mas a sério acreditas em vampiros? És tão parva!"

Podia ter ficado calada, poder podia, mas não tinha sido a mesma coisa.

«Eh pah mas há gente que vai a foder os joelhos daqui a Fátima, a pé, a gemer e ranger por tudo quanto é canto e esquina, e eu é que sou parva?»

Agora é que se vê o poder das maiorias... Se eu tivesse dito que acreditava em Deus certamente que se teriam limitado a sorrir.

Pancada jeitosa, não haja dúvida.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

16 de Maio

Não é um feriado. Nem tão pouco um dia que seja relevante para quem quer que seja além de mim. É o dia em que nasci. E posto isto e considerando que tenho um blogue no qual posso escrever o que me der na telha... tenho algumas considerações a fazer acerca deste dia...

Como o de muita gente, especialmente se calhar num dia de semana, começa sempre com um fdp qualquer nomeadamente pai, mãe, familiar ou outro que entra pelo quarto adentro às sete da manhã, sobe as persianas e desata a cantar os "Parabéns a Você". Ora eu sinceramente às sete da manhã consigo encontrar formas mais agradáveis de sair da cama para ir para a escola, e que não envolvam ficar surda o resto do dia. Depois quando vamos para sair de casa alguém, possivelmente a mesmíssima criatura que nos acordou de forma violenta e traumatizante, diz "Adeus! Tem um Bom dia de anos!". E diz isto do fundo do coração com a melhor das intenções. É claro que me teria soado dez vezes melhor se porventura essa pessoa se tivesse recordado que um dia para ser bom passa por não acordar às sete da manhã, ou não acordar sequer, com imensa luz no focinho e um barulho irritante a soar (a soar, a troar, a ribombar e a fazer o pino às cambalhotas) pelo quarto todo.

Durante o dia que de impertinente decide começar às 8:30 da manhã e terminar às 20:30 da noite sempre com aulas, explicações ou outros que tais há um sem fim de pessoas algumas das quais nem me lembro do respectivos nomes que me desejam bom aniversário. E eu respondo com um sorriso amarelo "Obrigada (isso teria melhor efeito se não tivesse sido fulano de tal que te disse à minha frente disfarçadamente que era o meu dia de anos)!" E portanto estes pequenos momentos servem para mostrar o quão absurdo algo pode parecer.

Mas melhor do que esses pseudo-informados são aqueles que muito convenientemente têm lembretes do facebook e portanto uma pessoa chega a casa depois do brilhante e nada comprido dia que teve e nada melhor do que escrever vinte vezes obrigado e um smile bonito com pequenas variações em todos os comentários do face. Mesmo naqueles das pessoas que nos viram trinta vezes nesse dia e não piaram, nem tugiram, nem mugiram. Claro que não. É normal. Afinal as pessoas não piam, nem tugem, nem mugem: Falam.

Mas e para contrariar tanto absurdo há aqueles que são espontâneos e genuínos e que chegam aos berros vindos não sei de onde a cantar-me os parabéns, desafinados, queridos, amigos (mesmo tendo eu aquele famoso comentário deles no facebook também). E me abraçam e me desejam um feliz dia. Assim, sem mais nem menos, efusivamente. E compensa o resto. Denote-se que são estas mesmas pessoas que uma semana antes de eu fazer anos já andam a falar disso.


Para continuar que eu durante 17 anos de existência acumulei muitos pensamentos sobre esta coisa de fazer anos o facto de fazer anos parece que me dá direito a decidir a ementa do respectivo dia. E claro que escolhi o que me deu na mona com as respectivas alterações que ninguém se lembra de fazer por mimo ao prato quando eu não faço anos mas que por eu ter mais um ano em cima acedem em realizar. Ocorreu-me uma altura recordar esta gente toda de que a minha pessoa não faz ri-go-ro-sa-men-te nada! Muito menos anos... a não ser que o facto de me manter viva mais um ano (o que sendo eu desastrada é um feito e tanto) conte para alguma coisa a única pseudo-pessoa que faz alguma coisa é o tempo que se limita a passar! Mas se os levasse na lenga-lenga ficava sem os meus bem amados cannelones s/cebola e isso não é coisa que se faça.

Outra que eu não percebo é o porquê de se reunir a família toda... No sábado seguinte lá tive eu o famoso jantar. Traduzindo, esse "jantar" resume-se a um número variado de horas em que temos de ostentar um sorriso radiante por termos um monte de gente enfiada em casa (que depois vamos ter de limpar) a fazer perguntas sobre tudo e nada, sem motivo nenhum , que normalmente não ligam para casa (nem que a gente esteja no hospital com os ossos todos partidos) e a quem nós também não ligamos. E claro temos de estar duas horas sentados à mesa a comer entradas, prato principal, frutas, café, sobremesas... E o dito bolo (que acaba por ser da preferência de todos menos da minha: que ainda sou quem faz anos e que falo em chocolate e amêndoas e a tradução é chantilli e morangos)... Isto tudo claro de forma muito leve suave e graciosa... depois de uma ainda mais leve tarde de explicações de matemática e de física-química.

Mas e passando o facto de toda a gente ter mais o que fazer além de estar a aturar toda a gente este ano houve uma inovação. Inovação essa que quase me fez deitar o bolo varanda abaixo. O tal de chantilli e morangos. Porque aparte o conteúdo a minha mãe, engraçadinha, mandou fazer um bolo da Kitty, sim, sim cor-de-rosa e tudo lá estampada com um chupa-chupa arco-íris nas patas. Isto resultou numa chamada do meu pai que quando foi lá buscar o bolo, desconhecendo o facto, e o presentearam com o dito cujo, ligou para casa a perguntar se era mesmo aquele bolo. E como a respostas não fosse claramente afirmativa fez questão de enfatizar "Da kitty? Tens a certeza?" Como a resposta se mantinha terminou com o graciosíssimo comentário "A tua filha vai-te estrangular" e ainda mais gracioso aviso: "Eu não tive nada a ver com isto!". Perante esta chamada de telefone a que eu assisti garanto-vos que foi uma sorte ter voltado a articular os maxilares. Por segundos julguei que não ia conseguir falar nunca mais, nem ar suficiente tinha para o fazer. Não estrangulei a minha mãe mas fi-la saber que me voltava a fazer uma destas e ia comprar um bolo de emergência às onze da noite. Isto para desencorajar quaisquer futuras ideias de Noddy's... Para efeitos de registo o corte que dividiu a gata em duas da cabeça aos pés fui eu quem o realizou com uma enorme satisfação e como alternativa a mandar o bolo varanda abaixo (2º andar).

Outra coisa que eu acho impressionante são os telefonemas. Esta gente à segunda feira parece ter o dia livre para o que bem entender! Eu tenho aulas!!! E felizmente aprouve-me um rasgo de bom senso, tive o telemóvel religiosamente em silêncio o dia todo! Depois outra fabulosa que me acontece são as sms... No dia seguinte há sempre um cristo que liga a dizer que enviou qualquer coisa às tantas da noite (coisa essa que eu passadas 16 horas ainda não recebi)... "Oh pah se te esqueces-te não faz mal!" é o que me apetece dizer. Mas isso ia gerar complicações e portanto fico-me por um "O telemóvel ficou sem bateria e eu só o pus a carregar à bocadinho quando cheguei! Ainda não vi nada mas já lá vou ler!" e pronto a coisa fica aviada por mais um ano e poupam-se uns tantos silêncios embaraçosos que parecem irritantemente ampliados quando se processam ao telefone.

Coisas à parte, e saltando mais um comentário de parabéns daquela pessoa que estamos a tentar esquecer mas que decidiu passar no face, acontece sempre que, posto o ser humano ser um ser social (já diziam os filósofos) há sempre estrilho numa das minhas festas. Quando somos pequenos normalmente acabamos a chorar debaixo da mesa enquanto berram os parabéns como se nada fosse. Quando crescemos já ganhámos uma boa dose daquele cinismo e postura de não-quero-saber-do-que-fez-agora-não-sei-quem-a-não-sei-quem aconteça o que acontecer.

Ou seja, este ano a minha avó ofereceu-se para fazer o prato principal do jantar (arroz de sangue que ela prepara maravilhosamente). A minha mãe agradecida aceitou... Grande asneira. É que sabem a minha avó parece que a partir das sete da tarde esteve constantemente a perguntar "Já posso deitar o arroz?" ainda os convidados não tinham chegado todos nem se tinham comido as entradas. melhor ainda: ainda EU não tinha chegado (que se bem se lembram estava em explicações). A minha mãe dizia sempre "Não tenha calma, quando chegarem todos!". Estou eu acabada de entrar em casa vinda de uma tarde de martírio, perdão de uma tarde super suave, passa a minha avó a mandar-me abrir a porta com ordens secas e carregando nas mão um panelão maior que eu cheio de arroz já deitado e já cozido. E pronto: a discussão começou. A minha mãe não gostou, eu não gostei, porque ainda não tinham chegado todos, a minha avó fez a tão conhecida cena do Ajudo-Para-Esfregar-Na-Cara e abalou sem comparecer ao jantar, chamaram-se todos à pressa (entretanto chegou quem faltava) misturou-se alheira com arroz, bolinhos de bacalhau com batatas e salada e pronto. Mas não me esqueço que a minha avó além de ter deixado a minha mãe fula faltou ao meu jantar. E estou-lhe muito grata por essa cena armada com pompa e circunstância quando menos se precisava dela.

E podia continuar num rol interminável de considerações... do género ligaram-me uns dias antes (o dito cristo) a perguntar o que é que eu queria de prenda de anos. Resoluta afirmei que queria um jaguar branco e acharam que eu estava a brincar. Então ofereceram-se para me levar ao concerto da Ivete Sangalo no Porto. Pensei que não estava com a mínima para concertos, nem que me pagassem e recusei... está claro que no dia me arrependi. Mas pronto. Umas sapatilhas e dois livros em inglês está fixe suponho... mas não compensa o tal jaguar branco.

A minha mãe fez-me exactamente a mesma pergunta e eu depois de ponderar falei numa câmara de filmar. Fez cara feia, disse que era muito caro e se eu não preferia um conjunto de roupa. Sim eu. Fiquei a perguntar-me para que raio me perguntavam o que eu queria para dar nestes brilhantes resultados. É que se não é para responder então mais vale comprarem, oferecerem e ficarem à espera do brilhante sorriso e comentário grato independentemente de eu gostar ou não da prenda. Isto minha gente é o chamado mundo dos crescidos, dos adultos, que mentem com quantos dentes têm e conseguem ter estas atitudes engraçadas de sorrir e ser assim hipócritas. Em qualquer caso ainda nem a roupa recebi, mas se ela estiver a pensar em saias e camisinhas deixa-la estar sentada que fico bem assim.

E depois há os benditos sms da meia-noite daqueles que querem ser os primeiros e não devem ter que fazer à cama, nem à falta de sono. Mas felizmente este ano já ninguém se atreveu aos ditos cujos, porque eu sinceramente, era bem capaz de todas as noites os acordar pelo telemóvel com perguntas estúpidas do género "Estás acordado?" quando ouvir resmungar do outro lado da linha. Só por causa das coisas. Porque eu não tenho culpa nenhuma de esta gente andar toda com insónias.

A única pessoa que não me deu os parabéns está de parabéns pela atitude, seja porque se esqueceu ou porque me conhece, porque sinceramente paciência para "fazer anos" eu não tenho, nem para aturar quem acha que isso é um acontecimento de valor. Curiosamente também é a única pessoa, e amigo, que me conhece decentemente.

E agora mesmo no fim preciso de dizer que o grande motivo pelo qual me desagrada tremendamente fazer anos é porque há sempre um fdp qualquer que chega ao pé de nós que fazemos x anos e diz com cara de pau "Já estás quase a fazer x+1 anos! Já tens idade para ter juízo!" Eu não sei o que raio andaram eles a fazer na escola, mas de certeza que não meteu matemática lá no meio. Também acho este comentário engraçado. Será que no tempo dos nossos pais e avós se encontrava juízo assim em saquinhos ao virar de cada esquina? É que aqui e agora a coisa anda difícil e eu não sei como raio esperam eles que a gente ganhe juízo da noite para o dia se em 17 anos inteiros não conseguiu.


Uma não fazedora de anos.

sábado, 21 de maio de 2011

25 de Abril de 1974

Toda a gente que se pode dignar a dizer que é bom português sabe o "que foi" 25 de Abril. Ou melhor sabe o "porque foi".

Para quem desconhece foi a grande vitória dos portugueses contra a o regime ditatorial de Salazar.

Veni, vidi, vici. Os revolucionários chegaram, viram e venceram. E, coisa curiosa, foi mesmo isso que ocorreu! Segundo o meu professor de Português o general que liderou o golpe afirmou "Se fosse necessário disparar, os meus soldados matavam-se uns aos outros! E quando foi de usar as máquinas tive de lá ir eu disparar!".

Os cravos foi outra coisa totalmente ao acaso... Uma vendedora com um cesto de cravos estava a assistir e ofereceu um cravo a um dos soldados que por falta de outro sítio onde o pôr o colocou no cano da espingarda. Pegou o efeito, e espalhou-se...


Enquanto lia sobre o assunto... e ainda não dei este post por terminado mas não quis arrastar mais tempo o seu início (afinal já vamos a 21 de Maio: quase um mês depois)... duas coisas me atravessaram a mente. E não consigo sentir de vergonha de as pensar porque até certo ponto são verdade.

A primeira e mais anedótica é que mesmo o maior e mais bem sucedido golpe de estado de que há memória foi algo planeado com base na sorte e no seja o que Deus quiser. Se eles tivessem porventura falhado é que eu gostava de ver como teria sido para se safarem.

A segunda é mais uma opinião do que um facto. Concordará comigo quem quiser.

No tempo de Salazar o povo morria à fome, e os cofres do estado tinham dinheiro, o país riqueza e influência.

-------------------------------LINHA DE TEMPO-------------------------------------->

No nosso tempo o povo morre à fome, os cofres do estado estão vazios, o país não tem um chavo e é motivo de anedota lá fora.

Quer dizer um país com uma riqueza enorme no que diz respeito ao peixe e no entanto importamos 60% do peixe que comemos. E porquê? Vendemos as cotas. É bom saber que se um dia os produtos importados falharem contaremos com menos 60% do que precisamos. E outra coisa: para convencer-mos a Finlândia a ajudar-nos correu por aí um vídeo género piada de conteúdo... e os argumentos nele apresentados são do tempo dos dinossauros?! Não temos nada mais recente que sirva de argumento?!

Escreve uma portuguesa cujo país exportou cortiça para importar rolhas de cortiça, cujo país exporta camisas para as importar com Channel lá escrito ao dobro, triplo do preço. Desculpem neste momento sinto-me incapaz de sentir orgulho em ser portuguesa... sou-o e não o nego... mas tenho vergonha do atestado de incompetência anedótica que nos foi passado recentemente. E para o provar basta dizer que um dos nossos ministros (já não sei quem nem interessa) foi pedir à Troika (denote-se estrangeiros) para investigar o estado das contas portuguesas... Que estado... que país... que nódoa. Ai! D. Afonso Henriques... Que fizeste tu?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Atraso

Para o caso de quem quer que leia isto estar a questionar o que raio fiz eu ao 25 de Abril. Bem nada... ainda. Ainda não tive tempo de fazer um post em condições. Ainda não tive tempo de relatar o resto da minha viagem a Lisboa no Verão do ano passado (leia-se 2010). Ainda não tive tempo de viver e de fazer muita coisa. Por isso o essencial é calma. A devido tempo tudo há-de vir como eu quero.

Coisas do Momento

Hoje ao jantar assisti a uma cena divertida...

O meu irmão nunca está satisfeito com nada e hoje desentendeu-se porque os meus pais estavam a ver o telejornal e ele não queria. Então fez a tentativa do voto de braço no ar.

"Quem quer ver o barcelona?"

Só ele pôs o braço no ar. Mesmo assim não desistiu.

"Quem quer ver o telejornal."

A criança foi literalmente ignorada durante esta tentativa de fazer valer a maioria. Ninguém quis saber. Ninguém fez por nada, eu incluida.

Irónico não é?