domingo, 27 de junho de 2010

Crónica VI - Criatividade vs Mentira


«Quando eu era criança, a criatividade não era uma das qualidades mais apreciadas pelos adultos. Aliás, a criatividade era um sinónimo pouco usado de mentira. No meu tempo não havia crianças criativas e as poucas que desafiavam os calduços eram simplesmente mentirosas (...)» Francisco Abelha em Pai em construção
****************************************************************************

Portanto a designação de criança criativa atribuída a um puto que diz que "tem um cão, uma tartaruga e um dinossauro pequenino que não morde" é recente. Antigamente um miúdo que se mostrasse criativo era aquele que mais depressa aprendia "o quanto doem as palmadas". Isto porque a criatividade não era mais do que mentira e cedo se transformou no terror dos pais. Hoje em dia já não é tanto à força das palmadas mas se há um puto que pinta um morango de azul e insiste em dizer que é um maracujá os pais são capazes de se sentar e obrigar o puto a apagar e a pintar aquilo de vermelho enquanto lhe explicam durante uma hora que aquilo é um morango e não um maracujá. Ora eu se um dia tiver filhos (era não era?) dou-lhes toda a liberdade de chamarem aos morangos vermelhos maracujás azuis se bem entenderem porque não vejo em que é que isso os vai afectar futuramente. Desde que não comecem de repente a dizer que são coelhos e a comer a erva do jardim não tenho qualquer razão lógica para os impedir de o fazerem. Até porque se um dia os mandar comprar morangos ao supermercado dificilmente eles me trarão maracujás azuis aos invés. E enquanto estiverem ocupados com os maracujás azuis e com "o dinossauro pequenino que não morde" não andam a dedicar-se a abrir tudo quanto é frasco de pomada e a espalhar na cara e em abono da verdade em tudo o que estiver ao alcance das mãos besuntadas e muito menos andarão ocupados com perguntas e observações inconvenientes. E outra coisa que seria bom de deixar de incentivar era dizer aos putos que as pessoas são da cor da pele e mandá-los corrigir quando pintam alguém de amarelo, ou de preto, ou de vermelho etc. Isto porque só lhes faz bem pintarem pessoas de várias cores porque pelo menos podem ter a certeza de que não se tornarão racistas num futuro próximo.

«O pediatra dos meus filhos disse-me, para eu dizer à minha mulher, que as crianças mais inventivas são as que constroem mais tarde os melhores raciocínios e revelam uma melhor aceitação da realidade. Durante uma consulta ele disse mesmo que as crianças criativas são as mais felizes e depois interrompeu a consulta para atender uma chamada telefónica do amigo imaginário»

É claro que se os putos andaram durante uma porrada de anos a chamar maracujá azul aos morangos vermelhos se um dia ouvirem dizer que agora existem Kiwis com sabor a uva não vão estranhar minimamente.

Bem claro que há o perigo de ao incentivarmos esta criatividade eles a mantenham até adultos como parece ser o caso do pediatra dos filhos do Francisco Abelha. Mas como as atitudes deste senhor me parecem fruto de negligencia paterna quando ele numa qualquer altura da infância bateu com a cabeça e não propriamente de incentivo da criatividade não estou muito para me preocupar. E se as crianças souberem além de ser criativas mentir um bocadinho bem se podem dar por felizes pois estão encaminhados "para um futuro na politica" e elas nunca dirão às mães que estão gordas ou que o pai fica absolutamente horrível com aquela gravata nova que comprou.

P.S.: Expressões entre aspas são retiradas do livro Pai em construção de Francisco Abelha

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Fragmentos




Quando queremos saber quem alguém é perguntamos

- Como te chamas?

A pessoa responde e achamos que isso diz tudo.... mas não diz nada.


"Devemos fazer as perguntas certas antes de esperarmos por respostas satisfatórias"

Phrases




How do you say goodbye to someone you can´t imagine living without? I didn´t say goodbye. I didn´t say anything. I just walked away. (Anonymous)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Love Quote



As Plato sometimes speaks of the divine love, it arises not out of indigency, as created love does, but out of fullness and redundancy; it is an overflowing fountain, and that love which descends upon created being is a free efflux from the almighty source of love; and it is well pleasing to him that those creatures which he hath made should partake of it. (Anonymous)

Love Quote





There are no guarantees. From the viewpoint of fear, none are strong enough. From the viewpoint of love, none are necessary. (Anonymous)

Love Quote




But true love is a durable fire, in the mind ever burning. Never sick, never old, never dead. From itself never turning. (Anonymous)

domingo, 20 de junho de 2010

Fragmentos


A forma como percorre o meu corpo dá-me arrepios.

O seu ciciar doce é viciante, possessivo...

Sussura: "experimenta-me, prova-me, saboreia-me"

As suas carícias são leves e no entanto tocam-me profundamente....

Suspiro ao toque como se não o pudesse suportar mas sei que não pode parar... Sinto que ficaria vazia...

Arrepios percorrem-me e suspiros sucedem-se num mergulhar de sensações voluptuosas e ludibriantes...

Parece que dura uma eternidade...

Hum.

Em abono da verdade há muito que perdi a noção do tempo quando ouço música.


Frases de Livros


-
´O amor não faz muitas perguntas, porque, se começamos a pensar, começamos a ter medo. É um medo inexplicável, nem adianta tentar colocá-lo em palavras.
Pode ser o medo de ser desprezada, de não ser aceite, de quebrar o encanto. Parece ridículo, mas é assim. Por isso não se pergunta - faz-se.´

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fragmentos


- What do I need to know(...)???

- Shhhh... You only need to know me....

"Escuta o silêncio, vê o que não está lá"

terça-feira, 15 de junho de 2010

Fragmentos



Ouves como que um zumbido de notícia a correr

Sentes um formigueiro que te começa a percorrer

Tens força a crescer quase no ponto

Chegas a querer espernear e correr

Ris e sorris a tudo o instante

Sabes que mais?

As férias chegaram de rompante!!!

E não te deixes em casa ficar

Anda à rua, passeia na lua!!!

VIVA AS FÉRIAS!

"Síndrome pré-férias!"
"Fim do ano, início de férias. Fim ou começo afinal? Porquê escolher?!"


Fragmentos


E senti-me só numa imensidão que desconhecia. Tinha medo de dar um passo, temendo não ser capaz de recuar. Não consiga agir. Quis pedir ajuda. Quis ser ajudada. Procurei a minha voz e ela perdeu-se. Morreu sem chegar a viver. Porque eu nem suportava a simples vibração do ar, o roçar da brisa na minha pele. O movimento da inspiração antes do falar: ardia como o fogo do inferno. E tu não foste capaz de perceber que eu precisava de ajuda; porque temia avançar. Recordo todas as palavras, inclusive as que tudo arruinaram. Subitamente recordei-me também que devia respirar. Doía-me tudo enquanto me movia ao ritmo da entrada de ar.

Senti-me subitamente vazia.

Devia ter alguma coisa cá dentro, lembro-me de pensar. Mas não. Não tinha nada. Achei que devia continuar a doer, como quando tudo começou. Mas não. Estava resignada... Já senti tudo e neste momento não penso em invocar o assunto. Não... quero fazê-lo. Ofegante obriguei os músculos a contrairem-se e obriguei o coração a continuar.

"Coragem não é ausência de medo mas agir apesar dele" (Mark Twain)
"Temos de conseguir viver mesmo quando tudo nos magoa"(Stephen Spender)

Fragmentos


Só eu sozinha, no meio da imensidão do pensamento.

Fico perdida na vaga presença da minha mente.

Divago na injustiça das palavras, cruelmente proferidas.

Só queria um bilhete de avião.

Para longe.

Para muito longe.

Para muito longe mesmo.

E ficar aí, nesse muito longe desencontrado do mundo, da realidade e da dor que me encontrou.

Porque quando não é justo... dói.


"As feridas que mais doem são as que não vertem sangue, e as que são ignoradas por todos: até por nós"

sábado, 12 de junho de 2010

Fragmentos


- Não sou de ninguém! - gritou ela furiosa
- Gostáveis de ser? - murmurou ele suavemente mexendo com os sentidos dela; desarmando-a...
- Não sou uma coisa que possa ser possuída! - resmoneou esquivando-se.
- Não, nenhuma coisa te alcançaria os calcanhares; mas és alguém que pode ser amada e tratada com carinho e retribuir da mesma forma..... Fica comigo.
- Não posso.
- Não quereis.
- Talvez.... Como posso eu saber? - suspirou.
- Não podes. - respondeu num beijo.



"A chave para o coração são as palavras, mas para o amor é a nossa vontade mais pura."

sábado, 5 de junho de 2010

Crónica V - Prémio "Fundação Manuel Pimenta"


Este prémio tem como objectivo premiar as pessoas que são boas por si mesmas. Ou seja que ajudam e se preocupam sem esperarem nada em troca. Um aluno por turma seria escolhido como vencedor de acordo com a opinião do concelho de turma. Isto é uma pequena introdução para saberem de que se trata.
*****************************************************************************************

E sabem o vencedor: a rapariga T. E a rapariga T é alguém que não se preocupa em ajudar os outros. Critica-me por ajudar. Acha que sabe tudo dos outros. Fiquei num trabalho de grupo com ela. Precisava-mos de mais pessoas. Três pessoas pediram para ficar connosco. Virei-me e perguntei-lhe: pode ser? Mais por descargo de consciência do que outra coisa perguntei-lhe se aceitava. Ela acenou com a cabeça. Então eu aceitei e fiquei satisfeita com o grupo. Pessoas trabalhadoras e empenhadas decerto seria um óptimo trabalho. Qual o meu espanto quando passado meia hora ela se vira: tu escolheste o grupo; eu escolho o tema. "HÃ? Eu não ouvi bem! Eu escolhi o grupo? Eu perguntei-te não perguntei? E desculpa que treta é essa? O tema é o grupo quem o escolhe. Ou estás à espera de chegar lá e dizer olhem o tema é este porque eu nunca quis ficar convosco no grupo e portanto tenho o direito de o escolher sem dar cavaco a ninguém." Ela calou-se. Tudo bem. Uns dias mais tarde veio com a mesma conversa e eu disse-lhe "ouve lá eu perguntei-te se podia ser quando elas pediram para ficar connosco!" «Ai mas querias que eu disse-se o quê? Já tinhas dito que sim....» "Eu não tinha dito que sim m***da nenhuma. Eu pedi-lhes para esperarem para te perguntar." «E tu querias que eu disse-se o quê?» "Desculpa lá rapariga T mas se tens boca é para falar. Falasses; não falaste agora aguentas. Mas vais-te arrepender disso porque elas trabalham bem. Tu nunca trabalhaste com elas e já as estás a descriminar mas eu já e elas são espectaculares." Escolhemos o tema por votação claro. Porque todas estávamos de acordo menos ela. Ficou resolvido. Passada uns tempos ela disse-me: «Tinhas razão. Elas trabalham mesmo bem.» " Eu disse-te tu é que julgas-te o livro pela capa. Não posso fazer nada quanto a isso.» O grupo ficou com má impressão dela. E quanto a isso também não pude fazer nada porque por muito amigas que fossemos... não pude ignorar a forma como ela julgou os outros.

E foi esta pessoa que ganhou o prémio. Por escolha do concelho de turma porque os votos dos nossos colegas dividiram-se entre mim e outra amiga minha. Claro que não serviu de nada a opinião da turma. Porque os professores é que sabem tudo. Ela é que aceitava a opinião dos outros, a que não julgava os outros e a que mais se enquadrava nos critérios. Quanto à maioria dos critérios tudo bem, estou de acordo. não tenho lata para dizer que não digo palavrões e tenho noção de que organização não é algo presente em qualquer das coisas que faço; muito menos nos meus cadernos. Mas eu aceito os outros como sou. Trabalho com eles na boa. Dámo-nos todos bem e não sou selectiva nem preconceituosa. Todos naquela turma são assim menos ela. E sabem quais eram alguns dos critérios de selecção?

Passo a citar:
  • A abertura face a outras culturas (e a outras formas de ser está implícito ou não?)
  • O companheirismo e o sentido de gratuituidade e da partilha dentro e fora da sala de aula.
Pois esta rapariga T é ligeiramente retrógrada no que toca a formas de vestir e de se comportar... E fica com má impressão de quem quer que se vista de forma mais atrevida ou arrojada. Mas claro como é uma menina incapaz de abrir a boca nas aulas foi ela a vencedora. Ok. E isto teve algo de bom: é que seja porque está arrependida, seja para ser aceite, ou por outro motivo qualquer ela melhorou. Há males que vêem por bem. E males porquê? Porque este prémio é uma estupidez e anula-se a si próprio. Foi criado para incentivar as pessoas a serem bondosas e preocupadas naturalmente e sem esperar nada em troca. No entanto premeia quem assim se comporta. Faz sentido? Não. Há coisas que realmente.... Palavra mas não há palavras....

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Fragmentos

Chamei-te e não vieste. Pedi com jeitinho e mandaste-me esperar. Quase ordenei e riste-te de mim. Implorei e nem te dignaste a responder. E agora; agora que já passou e que eu falhei porque não vieste é que apareces fugazmente. E ainda tens a lata de me dizer: eu era para vir, mas.....

- Sabes que eu preciso de ti. - murmurei

- Consegues sozinha - corrigiu-me

Respondeu-lhe uma espécie de gemido de incredulidade.

- Como? - perguntei

- Acredita em ti. - soprou-me ao ouvido como quem conta segredo proibido.

- Mas...

- Terás de o fazer mais tarde ou mais cedo. Eu não poderei estar sempre aqui.

Acenei com a cabeça pouco convencida. Ela percebeu.

- Escuta: é difícil...

- Eu sei. - gemi escondendo a face entre as mãos

- ... mas o fácil é de todos.

Meditei naquelas palavras. Deixei o pensamento fluir.

- Talvez eu seja capaz. Mas como vou saber?

- Confia em ti.

- Não posso.

- Não és de confiança?

- Acho que sou.

- Vais tentar?

- Sim. - surpreendeu-me a confiança na minha voz.

Ela perdeu-se nas memórias do tempo. E eu segui em frente. Para o meu caminho.

"Nada está realmente perdido até ao momento em que páras de tentar; até ao momento em que deixas de confiar em ti."